Entrevistamos Arkyn, DJ e produtor nascido em Lima e radicado em Belém, para falar sobre sua entrada na música eletrônica, pesquisa de pista, construção de identidade e a nova fase da carreira com a Frequency.
Antes do Arkyn existir como projeto artístico, qual era a sua relação com a música?
Arkyn: A música sempre esteve presente na minha vida. Nasci em Lima, no Peru, sou filho de mãe brasileira e pai peruano, e comecei tocando bateria na igreja. Depois, fui aprendendo outros instrumentos sozinho. Sempre tive facilidade para ouvir, entender e reproduzir música. Então, mesmo antes de pensar profissionalmente nisso, já existia uma relação muito forte com os instrumentos e com a prática musical.
Em que momento a música eletrônica deixou de ser apenas algo que você consumia e passou a ocupar um espaço profissional na sua vida?
Arkyn: Isso aconteceu mais tarde. Sou formado em Administração e Direito e trabalhei durante muitos anos como representante comercial. Uma oportunidade de trabalho me levou para Brasília, e foi lá que comecei a ter mais contato com pessoas que frequentavam bastante a cena eletrônica.
Por volta dos 32 anos, comecei a sair mais, conhecer festas e me aproximar principalmente do trance e do house. No final da pandemia, depois de ver o Mochakk tocando em Brasília, alguma coisa virou para mim. Comprei uma controladora, comecei a pesquisar música com muito mais profundidade, fiz um curso de DJ e passei a levar aquilo realmente a sério.
Sua entrada nas cabines aconteceu de maneira relativamente rápida. O que foi determinante para conseguir espaço no início?
Arkyn: Eu estava cercado por pessoas que já faziam parte da indústria, e isso foi muito importante. O Hopper foi meu professor e também se tornou um mentor nesse processo. A convivência com essa galera, somada ao networking que fui construindo, me colocou perto de clubs, festas e muitos afters.
As oportunidades começaram a aparecer relativamente rápido, mas eu também estava pesquisando muito e tentando aproveitar cada experiência para aprender. Estar próximo de pessoas mais experientes ajudou bastante a entender como a cena funcionava para além de simplesmente tocar.

Depois da experiência em Brasília, você voltou para Belém. Como encontrou seu espaço dentro de uma nova cena?
Arkyn: Quando voltei para Belém, tive que construir novas conexões. Comecei a me aproximar da cena, conhecer pessoas e, naturalmente, surgiram oportunidades para tocar em clubs importantes e também em beach clubs.
Hoje, já são cerca de seis anos como DJ. Durante esse período, também fui estudar produção musical, porque, para mim, esse processo aconteceu de forma quase imediata. Conforme você começa a pesquisar mais música e entender melhor o que está tocando, surge também a vontade de produzir e construir o seu próprio som.
Quando você entra em uma cabine hoje, o que orienta a construção do seu set?
Arkyn: Pesquisa e leitura de pista. Meu som passa bastante pelo tech house e pelo house, e considero o tech house meu principal pilar, mas não quero que isso se transforme em uma limitação.
Eu me considero um produtor eclético e tento entender o contexto de cada apresentação. Não acredito muito em simplesmente chegar com um set totalmente fechado e ignorar o que está acontecendo na pista. Gosto de pesquisar profundamente e ter repertório suficiente para conseguir conduzir diferentes situações.
“Pesquisa e leitura de pista.”

Você já dividiu noites com nomes como Kolombo, Barja e Hopper. O que as experiências de warm-up ensinaram sobre construção de pista?
Arkyn: O warm-up exige bastante responsabilidade. Você precisa entender que existe um momento específico da noite, uma energia que ainda está sendo construída e um artista que vem depois.
Ter feito warm-ups para artistas como Kolombo, Barja e Hopper me ajudou a desenvolver ainda mais essa percepção. É preciso saber segurar, construir e preparar a pista sem querer entregar tudo imediatamente. Acho que isso acaba refinando muito a leitura de pista de um DJ.

Você está lançando agora a Frequency. O que motivou a criação de um projeto próprio neste momento da sua trajetória?
Arkyn: Estou em um momento em que quero construir algo além da minha carreira individual. A Frequency nasce como uma label party, com a primeira edição acontecendo no dia 25, no Club Zebra.
A estreia será focada em artistas locais, mas o projeto já nasce pensando nas próximas etapas. Quero trazer produtores em ascensão que admiro, apresentar novos nomes e trabalhar com artistas que muitas vezes ainda estão fora da bolha mais óbvia do público.
Existe também uma preocupação com educação musical. Quero que as pessoas tenham contato com novos artistas e novas referências, e não apenas com aquilo que já conhecem.
A Frequency nasce como festa, mas você já pensa em uma estrutura mais ampla para a marca. Até onde pretende levar o projeto?
Arkyn: A ideia é que a Frequency não fique limitada às festas. Estamos montando uma estrutura para trabalhar também com outros segmentos da indústria, como cursos, desenvolvimento de artistas e booking.
Ao mesmo tempo, estou vivendo um processo semelhante na minha própria carreira. Tenho buscado conhecimento, mentorias e trabalhado melhor minha identidade visual e meu posicionamento.
Quero levar o Arkyn para outros estados e também para fora do Brasil. Um dos meus grandes objetivos é voltar ao Peru levando minha música. Nasci lá e tenho essa ligação familiar e cultural, então seria muito significativo conseguir desenvolver também esse lado internacional da carreira.

Existe uma faixa que você identifica como um ponto de ruptura na sua trajetória — uma música que tenha mudado sua maneira de enxergar a pista, a produção ou a própria carreira?
Arkyn: A música foi “At All”, do Kaytranada. Ela marcou uma virada de chave para a minha carreira de DJ. Foi na apresentação do Mochakk em Brasília, no final da pandemia.
Olhando para o momento atual da cena eletrônica, o que você acredita que ainda falta para o Arkyn encontrar uma identidade realmente própria dentro dela?
Arkyn: Acho que hoje já tenho meu estilo sonoro bem definido. O próximo passo é fortalecer ainda mais essa identidade com o auxílio da Frequency, sempre buscando trazer tracks novas e sair do óbvio.
Quero criar uma expectativa de novidade musical dentro da cena, apresentando produções de outros DJs e, em breve, também as minhas próprias produções. A ideia é fazer com que essa pesquisa e essa busca por música nova sejam cada vez mais reconhecidas como parte da identidade do Arkyn.
“Quero criar uma expectativa de novidade musical dentro da cena.”
Canais para acompanhar Arkyn e ouvir o trabalho do artista.
O Spotify abre a busca da plataforma porque não foi possível confirmar um perfil oficial sem risco de apontar para um homônimo.

