Kids Like Us, curta de Luke Jaden e Richie Hawtin lançado pelo NOWNESS em 17 de junho de 2025, retorna à cultura techno de Detroit do começo dos anos 1990. A produção foi filmada em 35 mm e constrói sua narrativa ao redor de energia, graves e comunidade.

Memória sem formato de aula
O filme não precisa funcionar como cronologia completa para ter valor documental. Ao escolher personagens, textura de película e situações inspiradas naquele período, ele aproxima o espectador de uma atmosfera social — lugares, encontros e sensação de descoberta — que listas de equipamentos não conseguem registrar sozinhas.
A participação de Hawtin liga o projeto à experiência de um artista que cruzava a fronteira entre Windsor e Detroit e começava a desenvolver Plastikman. Essa perspectiva é situada, não total: é uma porta de entrada para uma história construída por muitas comunidades e protagonistas.
Tecnologia como meio de memória
Há um contraste produtivo entre tema e suporte. Uma cultura associada a máquinas eletrônicas é revisitada por película fotoquímica. Em vez de transformar 35 mm em fetiche, o curta usa granulação, luz e montagem para falar de materialidade e tempo.
Para a editoria Tech, esse é o ponto mais interessante: tecnologia não aparece apenas como ferramenta de produção musical, mas como escolha narrativa capaz de alterar a forma como uma cena é lembrada.
